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domingo, 26 de fevereiro de 2012

SAÚDE EM CONFLITO



            Pensemos nas grandes guerras da história. Para que elas acontecessem, as partes interessadas desenvolviam estratégias. Derivada do grego strategos (στρατηγός) era vista como uma grande arte do general, que desenvolvia e conduzia campanhas, fazia divisão de forças em vista de derrotar o inimigo em suas batalhas. Estratégias que deixaram suas marcas na história e hoje são utilizadas em diversas situações, como o Brasil, que se declarou um grande opositor do crack, a droga que vem causando um grande mal à sociedade brasileira.
            Numa reportagem ao portal G1, no dia 07 de dezembro de 2011, O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que entre 2003 e 2011, passou de 25 mil para 250 mil a média mensal de atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) a usuários de álcool e drogas em todo o país. Tais dados foram apresentados durante lançamento de conjunto de ações integradas para o enfrentamento do crack no Brasil. Segundo o ministro, o país vive uma epidemia da droga a qual chamou de “ferida social”. O governo federal pretende investir R$ 4 bilhões para aumento do atendimento de saúde aos dependentes químicos, enfrentar o tráfico e ampliar ações de prevenção.  
            Seguindo a linha estrategista nesta grande guerra contra a “rocha”, como é conhecida pelos usuários, o governo federal desenvolveu o programa que recebe o seguinte mote: “Crack, é possível vencer”. Com a pretensão de criar enfermarias especializadas com 2.462 leitos destinados ao tratamento de usuários de drogas nos hospitais do SUS, e investimentos previstos até R$ 670 milhões. No seguinte link:
 http://www.brasil.gov.br/enfrentandoocrack/home encontra-se todo um trabalho de conscientização e prevenção contra a droga que vem destruindo inúmeras pessoas e tornando a vida de suas famílias um inferno. Existe até o 0800 510 0015 para informações.
            Toda essa preocupação em combater a “ferida social”, como denomina o ministro da saúde é muito importante, mostra que o governo não está de olhos fechados para tal situação, mas fico pensando sobre esses grandes investimentos, pois a mídia nos mostra o quanto a saúde pública no Brasil é precária, o quanto pessoas esperam em filas enormes para serem atendidas, o quanto ficam nos corredores de hospitais esperando vaga em um leito. Meu Deus! Tem gente que a até morre por falta de atendimento. Quais serão os resultados dessa estratégia? Será que nossos generais estão realmente visualizando todo o campo de batalha e toda força inimiga?
            O crack é extremamente maléfico, segundo informações do próprio site citado acima, Das vias aéreas até o cérebro, a fumaça tóxica causa um impacto devastador no organismo. As principais consequências físicas do consumo da droga incluem doenças pulmonares e cardíacas, sintomas digestivos e alterações na produção e captação de neurotransmissores. Na reportagem do portal G1, também já mencionada neste texto, A presidente Dilma Rousseff destacou que a rede pública de saúde terá de ser “reforçada” para atender a usuários, que segundo ela, “têm não só problemas pontuais, mas têm crise de abstinência, dificuldade de lidar com o fato, colocam suas vidas em risco e tem comportamentos que afetam profundamente a família”. Outra vez digo que são admiráveis tais tentativas, mas ainda insisto no olhar mais eficaz para as estratégias. No início deste ano todo país ficou perplexo com ações na cracolândia, grande São Paulo. Para ser mais específico há quase dois meses ocorreu a tal “operação sufoco” que expulsou os dependentes químicos viventes naquela região. Estratégia ou não, o caso mobilizou a sociedade civil, que recriminou o ato, dizendo que foi na verdade uma “operação espanta mosca”, conforme carta enviada ao governo do estado e publicada no site Spresso SP no dia 08 de fevereiro. Trecho da carta diz o seguinte: “A violência da força policial ao agredir os dependentes químicos, a ‘procissão do crack’ pelo centro da cidade provocada pela estratégia de expulsão dos usuários e a guerra urbana que se instaurou com a ação policial são apenas algumas das consequências de uma política equivocada, ingênua e desastrosa. Esta medida tem gerado ainda ameaças aos moradores e comerciantes de roubo, de incêndio às lojas, além de toda sujeira “sanitária” gerada pela peregrinação dos viciados à diferentes locais na área.”
            Contudo, parece que em época de ano eleitoral não há bem estratégias e sim atitudes desesperadas de maquiar situações para mostrar que está tudo ficando bem, ou melhor, há atitudes eleitoreiras.
            Entendo que grandes problemas enfrentados pela saúde pública em nosso país não serão resolvidos do dia para noite, como não foi resolvido o problema do crack em São Paulo, mas será com passos lentos e eficazes. Voltemo-nos à etimologia da palavra estratégia, e peçamos ao governo federal que realmente a utilize de forma inteligente, que a ação de combate seja continuada,  que chegue em todas as áreas, interrompendo o tráfico, fazendo acompanhamento social, atendendo as famílias, ou seja curando realmente a “ferida social” e não colocando apenas uma gaze em cima dela para que apenas não se veja. Por Benedito Antônio (aluno)


Crédito da imagem: http://3.bp.blogspot.com/_6vYqUCCMmHo/TGyxLZzb3fI/AAAAAAAABQU/8RLvEogAdcI/s1600/medo.jpg
            

Saúde Pública e o Papel da Igreja



                               Na sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012, os alunos do terceiro ano de teologia participamos da última aula de bioética. A mesma, realizada em forma de debate, moderada pelo professor Germano, enfocava a problemática da saúde pública, tema da Campanha da Fraternidade deste ano. Foi um debate edificante. Ora, na medida que cada um se expressava, articulava-se entre todos um sentimento de preocupação devido à constatação do estado precário do sistema de saúde e do pouco interesse por parte dos que devem zelar e cuidar do bem comum.
                               Na medida em que entrávamos nas questões mais relevantes, ao assistirmos a indiferença de muitos na esfera da saúde pública, entre nós pairava a dúvida: qual o papel da Igreja na sociedade. Por isso, polemizou-se bastante o fato de muitos religiosos possuirem plano de saúde, enquanto milhões de brasileiros se servem do serviço de saúde pública. De reflexo se perguntava: como defender com autenticidade a saúde pública se não se serve dela? É urgente a necessidade da Igreja recuperar a sua identidade: embasada em Jesus Cristo e ao lado dos últimos, sobretudo, dos últimos das filas do SUS.
                               Recordo-me de uma aula com o professor Jaudemir Vitório, na qual ele abordava sobre a crise na vida religiosa, propondo a volta às fontes. Ou seja, às vezes faz-se necessário voltarmos, se esquecemos o porque de optarmos pela vida religiosa, as motivações que orientaram nosso discernimento à ela. Parece-me, que a primeira tarefa seria refletir se de fato ainda recordamos qual é o carisma da nossa congregação ou instituo religioso. Pois se não sabemos discernir se podemos ou não ter um plano de saúde privado, é porque podemos ter nos esquecido o que dizem nossas Constituições. Pois, parece-me muito primário pensar assim, uma vez que devemos observar que a sociedade está em constante processo de mudanças e avanços. Assim, também nossos “carismas” precisam acompanhar os sinais dos tempos para responder àquilo que o Senhor da messe pede de nós, por intermédio de fundadores à luz dos nossos carismas congregacionais.
           Sem isso, não podemos dar nossa contribuição à Igreja. Nem mesmo poder dizer qual é de fato o seu papel na sociedade. Enfatiza o colega Iran Gomes: “o papel da Igreja é anunciar. Não qualquer anuncio, mas o anúncio embasado em Cristo Jesus, que convida-nos a olharmos com amor e generosa solidariedade as situações de fome, de miséria, de doença e exclusão que existem entre nós. Depois que anuncia a boa nova, a Igreja também denuncia as injustiças. Nesse sentido, a Igreja precisa ser no mundo presença de Cristo.[1]
                               Significa, portanto, dizer: nós que somos a Igreja devemos nos pautar pelos ensinamentos da Palavra e na sociedade refletirmos sobre questões pertinentes à vida do ser humano. É o que podemos observar no objetivo geral da CF 2012: “refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público[2]. Em outras palavras, os bispos do Brasil pedem-nos compromisso em que se possam juntar a assistência, a promoção humana e a luta pela mudança das estruturas que geram injustiça e desigualdade. Por Benedito Antônio (aluno).

Crédito da figura: http://www.startguide.org/graphics/HandHold.gif


[1] Aluno do 3º ano de Teologia da Faje.
[2] Texto-Base Campanha da Fraternidade 2012. São Paulo. Edições CNBB, 2012.p.12

Dores de Parto



            Nenhum homem é capaz de descrever as sensações de uma mulher grávida, tão menos falar sobre as dores sentidas ao trazer um bebê ao mundo. Experiência qual somente a natureza feminina tem a “graça” de viver.
            Já diz uma cancão de tantas Marias: “...de uma gente que ri quando deve chorar...”, talvez essa seja uma das melhores expressões para explicar o momento do parto, mas isso quando se trata do natural. Durante nove meses, certa Maria, carrega em seu ventre, reveste de carne uma nova vida. A cada semana uma surpresa. Com uma medicina qualificada e equipamentos avançados é possível ver o rostinho do bebê em 3D. Com o passar do tempo, juntamente com as alegrias vem o pesar de um corpo cansado, os órgãos internos femininos já deram todo espaço possível para a criança se desenvolver. Milagre da vida que traz dores para as Marias antes mesmo de darem a luz. As pernas incham, as costas doem, o corpo dói sem encontrar uma posição adequada para deitar, a respiração pode ficar mais curta, enfim, sensações que só as Marias  podem descrever.
No momento certo esse corpo cansado, cheio de dores, que divide seus nutrientes com outro pequenino, “grita” clamando alívio e expele a nova vida. Parece frio pensar dessa forma, mas é real, nascemos por estarmos prontos e porque o corpo de nossa mãe, uma entre tantas Marias, está sofrendo.
Antigamente as Marias de diversas culturas encontravam maneiras de parir, sempre percorrendo caminhos que as mais velhas abriam.
E as famosas parteiras, quem desta nova geração ouviu falar delas? Sabedoria muitas vezes matuta, mas extremamente eficaz, por suas mãos o parto era humanizado, o que hoje em dia com a medicina moderna e talvez com a pressa de alguns obstetras em ganhar seu dinheiro, isso se tornou bastante diferente, pode-se dizer “frio”.
De acordo com o site “partopelomundo.com”, vem aumentado o número de famílias que optam pela realização do parto em casa na Austrália, com 33% de aumento entre 2004 e 2009. A taxa de mortalidade materna neste país é registrada como uma das mais baixas no mundo sendo 8,4 em cada 100.000 mulheres. As últimas estatísticas, a partir de 2003- 2005 mostram apenas 65 óbitos maternos ocorridos na Austrália. Nenhum deles estavam relacionados a partos domiciliares.
Em alguns casos a cesariana é de extrema necessidade para garantir a vida de Marias e seus bebês. Mas em outros é pura comodidade de ambas as partes. Delas talvez por medo das dores do parto, por medo de estragar a genital ou são seduzidas por uma maneira rápida e que de dor no momento somente há uma agulhada nas costas. E seduzir para esse tipo de parto parece estar se tornando uma especialidade obstetrícia. Perceba, pelo Sistema único de saúde (SUS), o método natural custa R$ 291,00 e a cirurgia cesariana, R$ 402,00, já imaginou quanto isso custa em um hospital privado? Pois é isso varia de acordo com cada instituição por envolver diária e outros procedimentos.
Ah! Sim, as dores que não foram sentidas na hora do nascimento aparecem de outras formas, durante alguns dias, a barriga partida com pontos se enche de gases, tossir ou espirrar é quase um ataque inimigo em meio à guerra. Enquanto aquela que trouxe a luz uma nova vida de forma natural se recupera de maneira muito mais rápida e sem riscos de infecção hospitalar.
Ó Marias o que acontece com vocês? Mas quem sou eu para explicar? Sou apenas um João entre tantos outros que se alegra ao ver a carinha da vida, ao ouvir o chorinho da esperança e dores de parto ou pós-parto não sou capaz de sentir. Benedito Antônio (aluno)


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Poder, poder: onde está tua vitória?



            Não é novidade para ninguém que qualquer questão abordada pela bioética se apresenta imediatamente como uma questão polemica. Prós e contras instauram-se em uma arena e digladiam em um torneio que, em determinados assuntos mais complexos, não vislumbramos fim de discussão. Além disso, sendo a bioética transdisciplinar, varias são as vertentes do conhecimento ou das estruturas que tentam apresentar seu parecer. Religião, política, filosofia, teologia, e algumas “gias” mais, apresentam seus argumentos e estabelecem-se na arena para terem vez e voz.
            Nesse viés, torna-nos necessário perdermos um pouco a inocência para percebermos que por trás de muitos discursos o que está em jogo nem sempre é o bem, que nos obriga à faze-lo. Mas, muitos interesses, exteriores e até contrastante com a própria sustentabilidade da vida, entrelaçam-se aos discursos embaralhando os raciocínios e por vezes sobressaindo-se sobre a maioria.
             Os jogos do poder, onde manda quem pode obedece quem tem juízo, atravancam as reflexões e impedem que a bioética possa avançar em suas ponderações. E num mundo capitalista agressivo como os tempos hodiernos, esse manda quem pode, em vários momentos, equiparasse à quantidade de zeros à direita que determinado grupo possuem em suas respectivas contas bancárias.
             É inocência de mais pensarmos que a imparcialidade impera, e que a bioética caminha neutra de qualquer influencia, seja de religião, politica, economia, filosofia ou teologia. No entanto, os jogos de poder, causam, muitas vezes, uma parcialidade que atravancam os processos, amordaçam os pensares.
            E nesse itinerário as mudanças de mentalidade apresentam-se quase que esfumaçadas a frente, como que se quase não houvessem. Mas o importante é percebermos que existe luz no fim do túnel e a proposta maior é não termos medo de dialogarmos. O dialogo, e com ele, a honestidade de sermos persuadidos a aceitar que talvez nosso ponto de vista não é o melhor caminho, devem perpassar o rol de nossas concepções. E apenas no dialogo, que nos permite desarmarmos nossos interesses particulares, que conseguiremos elaborar em conjunto, metas universais sinceras. Exemplos, temos muitos: Declaração dos direitos humanos universais, Carta da Terra...
             O pessimismo nos impera e a duvida de não conseguirmos chegar ao final do percurso é inevitável. No entanto, a bioética que ainda dá os seus preciosos passos rumo ao seu amadurecimento não deve esmorecer. Cabe a bioética e os seus pensadores, apertar os passos, desviar das pedras preciosas do desejo de poder que tanto assolam a todos, para que numa utopia do pensar, ela torne para cada um verdadeiramente aquilo que é sua original missão: nos apresentar uma ética da Vida! Por Marco Aurélio (aluno).

Meio Ambiente: um compromisso de todos



O ser humano é o responsável universal de suas ações. Busca-se, cotidianamente, por um desenvolvimento sustentável do planeta com o propósito de satisfazer as necessidades atuais e das gerações futuras, desenvolvendo os potenciais social, econômico e cultural; e junto a isso a preservação e utilização razoável do meio ambiente e de seus recursos.
A ética ambiental entra no viés da conscientização cidadã e do compromisso no cuidado aos recursos globais, remetendo as responsabilidades das ações diretas e indiretas em favor ou contra-favor deste. A conscientização gera a ação: um compromisso ético e social que abrange uma mútua consciência de prevenção dos ecossistemas e numa reestruturação das políticas no combate a degradação do meio ambiente.
Uma boa parte da população é desinformada ou tende a tampar os ouvidos frente às diversas situações de desrespeito a um patrimônio natural que já existe bem antes da origem humana. Na realidade, o ser humano, o ser indivíduo é que é responsável pela sua atual condição. Se a humanidade sofre com as mudanças climáticas, o aquecimento global e tantos outros problemas, ela é a principal responsável e vítima das respostas que o meio ambiente dá. Poluição, o crescimento exagerado da população, a destruição das matas ciliares e das florestas acarretará no fim do maior bem do homem, a natureza.
Por isso, é de suma importância que os recursos renováveis sejam utilizados com cautela, ampliando o poder produtivo do ambiente sem prejudicar a natureza e os recursos não-renováveis. Possam ser também, utilizados de forma regrada, uma vez que esses podem se extinguir instantaneamente. O fato é que, os atos geram conseqüências permanentes que não só interferem na vida humana, mas na dos seres vivos e que atitudes e hábitos conscientes podem transformar um sonho longínquo em realidade eminente. O cuidado do meio ambiente é um compromisso de todos! Façamos a nossa parte!
Por: Benedito Antônio (aluno)

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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Fraternidade e saúde pública




Frequentemente, os meios de comunicação (rádio, internet, televisão, revistas e jornais) vêm nos mostrando os números da decadência do Sistema Público de Saúde no que diz respeito ao atendimento ao paciente e, também, no que se refere á deficiência dos serviços prestados nos hospitais públicos. Pesquisas mostram que o brasileiro sofre com uma das mais altas cargas tributárias do mundo. Diante dessas cargas tributárias era para o povo brasileiro ter um tratamento de qualidade nos hospitais, mas nem isso lhe é garantido. Os únicos que podem beneficiar-se de tratamentos de primeira qualidade são aqueles que têm condições de pagar um bom plano de saúde. A questão da saúde pública no Brasil é tão complicada que existem pessoas que esperam mais de cinco anos para realizar uma cirurgia. Claro que esta cirurgia não é emergencial, pois se fosse, obviamente esta pessoa morreria por falta de cuidados médicos.
Diante da realidade a qual se encontra a saúde pública no Brasil, a Campanha da Fraternidade do ano de 2012 aborda o tema: “Fraternidade e saúde pública”. O objetivo de tratar esta temática é o de sensibilizar a todos sobre o cuidado, zelo, valor e respeito que se deve dar a vida. Por isso, este é um momento oportuno para falar da saúde pública e refletir sobre os cuidados que se deve ter com a mesma. Este é um momento privilegiado para desenvolver uma maior consciência sobre a questão da saúde pública e mostrar para as pessoas que pensar nesta questão não só é cuidar de si, mas também ir ao encontro do outro que necessita da nossa ajuda. Esta é a finalidade da CF 2012, fazer com as pessoas se conscientizem de que a melhoria da saúde pública depende do empenho e do esforço de cada um de nós. Somente assim, é possível ajudar quem está doente e melhorar o sistema público de saúde na sociedade em que vivemos.
É importante sensibilizar-nos para esta questão da saúde pública e percebermos que o caminho da conversão, passa pela atenção com o outro. Isso significa que o sofrimento que o outro está passando, também é nosso. Em outras palavras, tudo o que diz respeito à pessoa humana, se refere também a prática evangélica (ensinamentos de Jesus). Como se pode ver, o tema da CF de 2012 nos ajudará a refletir com seriedade sobre o cenário da saúde pública no Brasil e alertará o governo e demais autoridades sobre a precariedade de condições dos hospitais, reivindicando assim, melhores condições na saúde pública. A saúde é um Dom que Deus nos deu. Por isso, todos nós devemos ter direito a ela.
Além da atenção para com os enfermos, faz-se necessário um empenho maior por mudanças nas estruturas que geram enfermidades e mortes em nossa sociedade. Tais estruturas tornam-se visíveis nas situações de exclusão, na falta de condições adequadas e dignas de se viver. Também é importante ressaltar o péssimo atendimento que é oferecido a muitas pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). O texto base da Campanha da Fraternidade descreve a saúde pública como condição digna para o desenvolvimento pessoal e comunitário, a partir da responsabilidade do Estado, e iniciativas que relacionam saúde com alimentação, educação, trabalho, renda, promoção das pessoas e meio ambiente saudável para se viver como um ser humano. Nesse sentido, a bioética entra como um bem comum que caminha na linha da prevenção da saúde de todas as pessoas. Ela visa à justiça, a legalidade, a transparência, o respeito e a dignidade entre todos sem distinção de raça ou de cor.
Por fim, á luz da Campanha da Fraternidade de 2012, queremos refletir com toda a Igreja sobre a saúde pública e incentivar as pessoas a rezarem por todos os profissionais desta área, para que suas ações sejam promover e defender a vida, de modo particular, daqueles que vivem em situação de desigualdade. Que a Igreja, à luz do grito profético de cada batizado(a), possa aproveitar esse momento para se aproximar das questões sociais que atingem cotidianamente a vida do nosso povo. É a partir dessas reflexões junto ao poder público e aos cidadãos, que a Igreja pretende contribuir para a qualificação, o fortalecimento e consolidação do SUS, visando melhoria da qualidade de saúde para a população como um todo. Por Roni Hernandes

Campanha da Fraternidade 2012.



Campanha da fraternidade 2012 reflete sobre a realidade da Saúde no Brasil, com o tema “Que a saúde se difunda sobre a terra” (cf. Ecle 38,8). Apontando alguns objetos; refletir sobra a realidade da saúde no Brasil visando uma vida saudável. Disseminar o conceito de bem viver e sensibilizar na prática de hábitos saudáveis. Sensibilizar as pessoas para os serviços aos enfermos e suprimir suas necessidades e a integração na comunidade. Alertar para a importância da organização da pastoral da saúde nas comunidades. Despertar nas comunidades as discussões sobre a realidade da saúde publica, visando a defesa do SUS, e a reivindicações do seu justo financiamento e etc.
Perante estes objetivos podemos perguntar. Qual o papel da igreja no mundo da saúde? Em âmbito geral sempre foi um papel assistencial, exercício humanizante, ou seja, a Igreja é perita em humanidade e não em ciência, investindo no auxílio e cuidado com as pessoas ou populações, especificamente os mais pobres e vulneráveis ao longo da história.
A missão da Igreja pode-se resumir: Eu vim para que todos tenham vida plena. E ter vida plena significa ter saúde. Uma ética samaritana marcada, que visa aprofundar colocar em prática a ‘bioética dos quatro Ps’: “Promoção da saúde; prevenção  de doenças; proteção das vulneráveis presas fáceis de manipulação; precaução frente ao desenvolvimento tecnológico”[1] que muitas vezes querem desenvolver novidades sem sabermos  muito das  conseqüências. 
Trabalhar o tema da Campanha da Fraternidade com a saúde é ter em vista, vida e morte, configurando a luz da vida e morte e ressurreição de Nosso senhor Jesus Cristo. Ver e refletir e discutir a saúde publica no Brasil é ao mesmo tempo ajudar a transformar a ação do modelo da saúde publica. A salvação que Jesus Cristo nos alcançou passa pela saúde física, psíquica, afetiva e espiritual, isto é, a saúde de toda a pessoa, pois toda a pessoa foi salva.
Quando se fala de saúde publica, não podemos direcionar o foco diretamente para a realidade dos atendimentos e dos cuidados em unidades de saúde, devemos compreender que para ter uma qualidade de vida muitos fatores de precauções devem ser levados em conta, o direito e o cuidado com o meio ambiente, a busca de um desenvolvimento sustentável, e considerar a questão da antropologia, que parece estar esquecido, pois se não tiver uma visão clara sobre quem é o homem, os resultados da biotecnologia não atingiram os resultados benéficos. 
Portanto, todo este processo de evangelização proposto pela Campanha da Fraternidade, restaura princípios éticos diretamente ligados nas atividades sociais e físicas. Consistindo em promover, educar, cuidar, defender e celebrar a vida. Por Marcos Bugila (aluno).


[1] Conferência dos Bispos do Brasil. Campanha da fraternidade 2012: Manual. Brasília, Edições CNBB. 2011. p 108.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O QUE É SAÚDE?



A Bioética, sendo um estudo sistemático da conduta humana no âmbito das ciências da vida e da saúde. Como o objetivo principal refere-se à valorização da saúde, o que de fato é a saúde? 

A concepção vulgar de saúde é a ausência de doença, e essa visão peca pro simplismo e estreiteza, pois reduz a saúde humana apenas ao bem-estar físico e corporal. Uma concepção mais abrangente e uma definição de saúde mais difundida foi apresentada em 1946 pela Organização Mundial da Saúde: “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. Essa visão procura englobar diferentes divisões da vida humana psíquica e social. No entanto ocorre um reducionismo, porque é uma compreensão estática e ilusória da saúde humana. Pelo fato do estado de bem-estar completo nunca existir, devido à vulnerabilidade e fragilidade física e psíquica do ser humano. 

Para José Roque Junges o significado de saúde engloba o equilíbrio somático, o físico, o psíquico, o social e espiritual considerando que a vida humana encontre-se em contínuos desafios, e descobre meios de adaptação. Atualmente muitos definem a “saúde como processo de adaptação a um meio de continua mudança; capacidade de crescer, de envelhecer, de curar às vezes, de aceitar, quando necessário, o sofrimento e finalmente, de esperar a morte em paz” [1]

Portanto, a definição de saúde deve englobar o ser humano como um todo, considerando os elementos corporais, psíquicos, espirituais e sociais. E um trabalho passivo que a bioética desenvolve é conscientização dos profissionais que a saúde ou a doença não atinge somente o corpo, mas a pessoa em sua totalidade, e o tratamento de uma enfermidade requer uma integração com outras dimensões para recuperação da saúde. Não esquecendo que saúde é o bem mais valioso para com a vida, atraves dela o ser humano coloca-se no caminho do processo natural no desejo do desenvolvimento das atividades para a realização dos seus sonhos. Por Marcos Bugila (aluno).

Créditos da figura: http://fopspr.files.wordpress.com/2010/12/saude_mental.jpg


[1] JUNGES, José R. Bioética hermenêutica e casuística. São Paulo: Loyola, 2006. p. 143. 

TECNOLOGIA MANCHADA DE SANGUE E SUOR



Ano 2012, mundo tecnologizado! Neste exato momento, quantos projetos de pesquisa científica, de desenvolvimento de novas tecnologias, de novas terapias estão sendo desenvolvidos em todo o mundo? Certamente, muitos!!!
                O ser humano neste tecno[lógico]-mundo se gaba por ter à sua disposição tantos meios, aparelhos que facilitam, curam, geram a vida. Porém muito pouco se preocupa com todas as implicações negativas que a produção destas tecnologias provocou na vida de tantos seres humanos.
                O tênis, com uma eficaz tecnologia anti-impacto, que compramos e usamos com muito gosto, pois vai preservar meus membros inferiores de quaisquer lesões, é fruto de trabalho quase-escravo na China.  A TV, o celular, o computador de última geração que tanto nos fazem bem, são fruto da exploração de x produto na África, de y produto na Ásia, de w produto na América Latina, tudo às custas da mão-de-obra pobre e barata.Outros tantos exemplos poderíamos explorar. Talvez não haja produção alguma que não seja produto de alguma forma de injustiça e de atentado a alguma vida humana.
Enfim, compramos, usamos, desfrutamos, sorrimos, vivemos com todo tipo de tecnologia sem ter a consciência de que a equação de sua produção é: injustiça do rico + exploração do pobre = ao produto que você tem e usa.
É possível produzir tecnologias com justiça e respeito à vida humana desde que a humanidade seja a prioridade. Enquanto a vida humana for pautada pelo lucro, a tecnologia será suja de sangue e suor humanos. Por Alfredo Viana Avelar (aluno).


Créditos da imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgmk8oHyh9RhfVYe-0PEaEabdEexaLI-vrRaS6gLqa7kvx_MkbX-tL44zeZrdAB0khBw1xEmCJVNhuJExnTw8V2sdVv-bbP48JGfE_GCrESiYgtWyY_msfj1g1I2QxpaNAfPZR9unDukZo/s1600/engrenagem+A.jpg

A UTOPIA DO EU



As cidades tão cheias, o povo na rua a andar 
No campo há grandes fazendas pra pôca gente habitá. 
Nas cidades o ritmo é acelerado, o tempo é dinheiro que tudo sustém 
No campo, sem vida, o tempo é ligeiro, homem com enxada quase não tem. 

Nas cidades, com muitos aparelhos um clone humano já é possível fazer, 
Nos campos cheios de máquinas plantando uma soja que nem é pra gente comer.
O gado engordado é vendido pra fora por um preço banal,
Façam a conta de litros de água pra cada um quilo desse animal.

Um país como o nosso com extensão de terra continental 
Permite migalhas à maioria pobre e aos ricos fartura, um contexto desigual 
Tudo é tão relativo, pois o que impera é a lógica do dinheiro 
O nosso país se gaba por ser do mundo um grande seleiro. 

Ironia, sarcasmo ou covardia, não consigo entender 
O Brasil que tanto alimento produz, deixa seu povo de fome morrer. 
“A quem recorreremos?”, uma interrogação se dispersa no ar... 
O político, o econômico e até o religioso orientam-se pelo excludente “bem-estar” 

Precisamos de utopias, como haveremos de fazê-las existir? 
O capitalismo reduziu nossos sonhos ao que se pode pelo dinheiro consumir. 
Criar, sonhar e viver, tudo mudar a partir de mim 
Sendo no mundo diferença, uma outra opção que surge enfim.


Por Alfredo Viana Avelar (aluno).



Créditos da imagem: http://www.revistaentreaspas.com.br/templates/midia/imagem-mapa-brasil.png

BIOÉTICA E SAÚDE PÚBLICA



            O texto base da Campanha daFraternidade 2012 – com o tema: Fraternidade e Saúde Pública¹ diz que a vida, a saúde e a doença são realidades profundas, envoltas em mistérios. Diante delas, as ciências não se encontram em condições de oferecer uma palavra definitiva, mesmo com todo o aparato tecnológico. A bioética tem o papel de não permitir que esta palavra definitiva aconteça. Ela deve ser espaço de diálogo entre a ciência e o mistério.
            Mas, em se tratando de saúde pública, a bioética tem o papel de animar o que o texto base da CNBB chama de subsidiariedade: princípio que aponta para um modo de relação e cooperação construtivo entre as instituições interessadas na problemática da saúde pública, estando atenta a qualquer vestígio ideológico de poder que possa prejudicar a pessoa humana.
            A bioética deve ser presença de solidariedade, de maneira especial, quando a pessoa enferma e debilitada necessita de justo e qualificado cuidado nas instituições públicas. Ela como instância ética tem o papel de defender a pessoa no que concerne a sua dignidade, autonomia e verdade, denunciando, depois de apurada reflexão e análise hermenêutica, toda e qualquer situação de anti-ética promovida por qualquer entidade pública e pelo Estado em nome de interesses utilitaristas.
Não pretendo fazer da bioética uma instância reguladora e nem de acusação. Mas transformá-la num espaço, ou seja, num fórum de diálogo e discussão, onde todas as realidades podem se encontrar, sejam elas tecnocientíficas, médicas, políticas, sociais, antropológicas, psicológicas, filosóficas e teológicas, tendo como princípio a vida: direito de todo ser humano. Pois toda saúde pública é antes de tudo, um querer viver bem seja individualmente ou em sociedade. Por Alex Nuno (aluno).

1. Manual – Campanha da Fraternidade 2012 – Fraternidade e saúde pública – CNBB. n. 7 – 20.