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quinta-feira, 1 de março de 2012

Os descaminhos da vida


 Aos diversos modos de abordar a vida mostra a dinâmica que envolve a vida e a complexidade da mesma. Por sua vez, a dinâmica e a complexidade da vida exige um olhar mais atento e apurado no cuidado e zelo para com ela. Em uma sociedade cada vez mais individualista e pluralista de idéias, de opções e de posturas sobre a vida, também, tecem idéias variadas, posturas equivocadas e até opções de morte.

Por isso, aparece, mesmo que implicitamente, na atualidade um forte apelo de segurança à vida e a dignidade da mesma. As diversas instituições que estão em crise. As variadas relações existentes que se encontram fragmentadas. A desilusão presente no olhar e no coração de muitos homens e mulheres, tudo isso é sinal de uma crise profunda. Os inúmeros impactos ambientais, a ameaça que sofre diversas espécies de desaparecimento. Tudo isso revela a crise mundial em que se encontra a população planetária.

Mas, essa é, propriamente, uma crise do humano. Não que o homem seja o centro do universo e do mundo. Porém, é ele que pensa e problematiza a vida e as relações que a ela se liga. As relações com o mundo e com as vidas de todos os seres existentes. Por isso, podemos perceber que as inúmeras faces da crise mundial é sinal simbólico da crise humana. Este ser que já fora definido por antropologias diversas de maneiras variadas. Ser social. Ser racional. Ser relacional. Ser lúdico. Ser religioso. Ser de possibilidades. Ser para a morte. Ser simbólico, etc.

Assim urge a necessidade desse ser que problematiza a vida e as relações que a ela se entrelaçam de rever a sua caminhada evolutiva e histórica criticamente para redescobrir o sentido da existência e, logo, da vida. A vida em seu mistério, em sua incógnita, em seu dinamismo, em sua incapacidade de ser apreendida totalmente e em sua intrínseca dependência de outros seres pode ser um ponto de partida para um aprofundamento do redescobrimento para ela. E ao mesmo tempo uma fuga salutar para a saída da crise humana.

Longe de qualquer utilitarismo ou ditadura sobre a vitalidade e animosidade deste fenômeno que denominamos vida devem estar atento o coração e a mente humana. Próximo a mutua dependência uns dos outros deve ser fixado à ação do homem. Aberto ao cuidado e ao zelo pela vida deve estar toda integibilidade de nossa razão. E, portanto, os passos salutares e profícuos dados pela ciência e pela religião no que tange o fenômeno da vida devem servir, também, como parte do grande arcabouço que traçam a linha do bom diálogo entre fé e ciência. Por Vagner Moreira da Silva.


 Resumo. A gama de modos de abordar a vida mostra a dinâmica que envolve a vida e a complexidade da mesma. Por sua vez, a dinâmica e a complexidade da vida exige um olhar mais atento e apurado no cuidado e zelo para com ela. Os inúmeros impactos ambientais, a ameaça que sofre diversas espécies de desaparecimento. Tudo isso revela a crise mundial em que se encontra a população planetária. Assim urge a necessidade desse ser que problematiza a vida e as relações que a ela se entrelaçam de rever a sua caminhada evolutiva e histórica criticamente para redescobrir o sentido da existência e, logo, da vida. A vida em seu mistério, em sua incógnita, em seu demonismo, em sua incapacidade de ser apreendida totalmente e em sua intrínseca dependência de outros seres pode ser um ponto de partida para um aprofundamento do redescobrimento para o sentido dela. (Palavras Chaves: vida, cuidado, sociedade, individualista, dignidade, homem, crise, impactos, ambientais, ameaça, coração, mente, olhar, sociedade, desilusão, redescobrir, antropologias, variadas, diversas, simbólico.)


domingo, 26 de fevereiro de 2012

SAÚDE EM CONFLITO



            Pensemos nas grandes guerras da história. Para que elas acontecessem, as partes interessadas desenvolviam estratégias. Derivada do grego strategos (στρατηγός) era vista como uma grande arte do general, que desenvolvia e conduzia campanhas, fazia divisão de forças em vista de derrotar o inimigo em suas batalhas. Estratégias que deixaram suas marcas na história e hoje são utilizadas em diversas situações, como o Brasil, que se declarou um grande opositor do crack, a droga que vem causando um grande mal à sociedade brasileira.
            Numa reportagem ao portal G1, no dia 07 de dezembro de 2011, O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que entre 2003 e 2011, passou de 25 mil para 250 mil a média mensal de atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) a usuários de álcool e drogas em todo o país. Tais dados foram apresentados durante lançamento de conjunto de ações integradas para o enfrentamento do crack no Brasil. Segundo o ministro, o país vive uma epidemia da droga a qual chamou de “ferida social”. O governo federal pretende investir R$ 4 bilhões para aumento do atendimento de saúde aos dependentes químicos, enfrentar o tráfico e ampliar ações de prevenção.  
            Seguindo a linha estrategista nesta grande guerra contra a “rocha”, como é conhecida pelos usuários, o governo federal desenvolveu o programa que recebe o seguinte mote: “Crack, é possível vencer”. Com a pretensão de criar enfermarias especializadas com 2.462 leitos destinados ao tratamento de usuários de drogas nos hospitais do SUS, e investimentos previstos até R$ 670 milhões. No seguinte link:
 http://www.brasil.gov.br/enfrentandoocrack/home encontra-se todo um trabalho de conscientização e prevenção contra a droga que vem destruindo inúmeras pessoas e tornando a vida de suas famílias um inferno. Existe até o 0800 510 0015 para informações.
            Toda essa preocupação em combater a “ferida social”, como denomina o ministro da saúde é muito importante, mostra que o governo não está de olhos fechados para tal situação, mas fico pensando sobre esses grandes investimentos, pois a mídia nos mostra o quanto a saúde pública no Brasil é precária, o quanto pessoas esperam em filas enormes para serem atendidas, o quanto ficam nos corredores de hospitais esperando vaga em um leito. Meu Deus! Tem gente que a até morre por falta de atendimento. Quais serão os resultados dessa estratégia? Será que nossos generais estão realmente visualizando todo o campo de batalha e toda força inimiga?
            O crack é extremamente maléfico, segundo informações do próprio site citado acima, Das vias aéreas até o cérebro, a fumaça tóxica causa um impacto devastador no organismo. As principais consequências físicas do consumo da droga incluem doenças pulmonares e cardíacas, sintomas digestivos e alterações na produção e captação de neurotransmissores. Na reportagem do portal G1, também já mencionada neste texto, A presidente Dilma Rousseff destacou que a rede pública de saúde terá de ser “reforçada” para atender a usuários, que segundo ela, “têm não só problemas pontuais, mas têm crise de abstinência, dificuldade de lidar com o fato, colocam suas vidas em risco e tem comportamentos que afetam profundamente a família”. Outra vez digo que são admiráveis tais tentativas, mas ainda insisto no olhar mais eficaz para as estratégias. No início deste ano todo país ficou perplexo com ações na cracolândia, grande São Paulo. Para ser mais específico há quase dois meses ocorreu a tal “operação sufoco” que expulsou os dependentes químicos viventes naquela região. Estratégia ou não, o caso mobilizou a sociedade civil, que recriminou o ato, dizendo que foi na verdade uma “operação espanta mosca”, conforme carta enviada ao governo do estado e publicada no site Spresso SP no dia 08 de fevereiro. Trecho da carta diz o seguinte: “A violência da força policial ao agredir os dependentes químicos, a ‘procissão do crack’ pelo centro da cidade provocada pela estratégia de expulsão dos usuários e a guerra urbana que se instaurou com a ação policial são apenas algumas das consequências de uma política equivocada, ingênua e desastrosa. Esta medida tem gerado ainda ameaças aos moradores e comerciantes de roubo, de incêndio às lojas, além de toda sujeira “sanitária” gerada pela peregrinação dos viciados à diferentes locais na área.”
            Contudo, parece que em época de ano eleitoral não há bem estratégias e sim atitudes desesperadas de maquiar situações para mostrar que está tudo ficando bem, ou melhor, há atitudes eleitoreiras.
            Entendo que grandes problemas enfrentados pela saúde pública em nosso país não serão resolvidos do dia para noite, como não foi resolvido o problema do crack em São Paulo, mas será com passos lentos e eficazes. Voltemo-nos à etimologia da palavra estratégia, e peçamos ao governo federal que realmente a utilize de forma inteligente, que a ação de combate seja continuada,  que chegue em todas as áreas, interrompendo o tráfico, fazendo acompanhamento social, atendendo as famílias, ou seja curando realmente a “ferida social” e não colocando apenas uma gaze em cima dela para que apenas não se veja. Por Benedito Antônio (aluno)


Crédito da imagem: http://3.bp.blogspot.com/_6vYqUCCMmHo/TGyxLZzb3fI/AAAAAAAABQU/8RLvEogAdcI/s1600/medo.jpg
            

Saúde Pública e o Papel da Igreja



                               Na sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012, os alunos do terceiro ano de teologia participamos da última aula de bioética. A mesma, realizada em forma de debate, moderada pelo professor Germano, enfocava a problemática da saúde pública, tema da Campanha da Fraternidade deste ano. Foi um debate edificante. Ora, na medida que cada um se expressava, articulava-se entre todos um sentimento de preocupação devido à constatação do estado precário do sistema de saúde e do pouco interesse por parte dos que devem zelar e cuidar do bem comum.
                               Na medida em que entrávamos nas questões mais relevantes, ao assistirmos a indiferença de muitos na esfera da saúde pública, entre nós pairava a dúvida: qual o papel da Igreja na sociedade. Por isso, polemizou-se bastante o fato de muitos religiosos possuirem plano de saúde, enquanto milhões de brasileiros se servem do serviço de saúde pública. De reflexo se perguntava: como defender com autenticidade a saúde pública se não se serve dela? É urgente a necessidade da Igreja recuperar a sua identidade: embasada em Jesus Cristo e ao lado dos últimos, sobretudo, dos últimos das filas do SUS.
                               Recordo-me de uma aula com o professor Jaudemir Vitório, na qual ele abordava sobre a crise na vida religiosa, propondo a volta às fontes. Ou seja, às vezes faz-se necessário voltarmos, se esquecemos o porque de optarmos pela vida religiosa, as motivações que orientaram nosso discernimento à ela. Parece-me, que a primeira tarefa seria refletir se de fato ainda recordamos qual é o carisma da nossa congregação ou instituo religioso. Pois se não sabemos discernir se podemos ou não ter um plano de saúde privado, é porque podemos ter nos esquecido o que dizem nossas Constituições. Pois, parece-me muito primário pensar assim, uma vez que devemos observar que a sociedade está em constante processo de mudanças e avanços. Assim, também nossos “carismas” precisam acompanhar os sinais dos tempos para responder àquilo que o Senhor da messe pede de nós, por intermédio de fundadores à luz dos nossos carismas congregacionais.
           Sem isso, não podemos dar nossa contribuição à Igreja. Nem mesmo poder dizer qual é de fato o seu papel na sociedade. Enfatiza o colega Iran Gomes: “o papel da Igreja é anunciar. Não qualquer anuncio, mas o anúncio embasado em Cristo Jesus, que convida-nos a olharmos com amor e generosa solidariedade as situações de fome, de miséria, de doença e exclusão que existem entre nós. Depois que anuncia a boa nova, a Igreja também denuncia as injustiças. Nesse sentido, a Igreja precisa ser no mundo presença de Cristo.[1]”
                               Significa, portanto, dizer: nós que somos a Igreja devemos nos pautar pelos ensinamentos da Palavra e na sociedade refletirmos sobre questões pertinentes à vida do ser humano. É o que podemos observar no objetivo geral da CF 2012: “refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público”[2]. Em outras palavras, os bispos do Brasil pedem-nos compromisso em que se possam juntar a assistência, a promoção humana e a luta pela mudança das estruturas que geram injustiça e desigualdade. Por Benedito Antônio (aluno).

Crédito da figura: http://www.startguide.org/graphics/HandHold.gif


[1] Aluno do 3º ano de Teologia da Faje.
[2] Texto-Base Campanha da Fraternidade 2012. São Paulo. Edições CNBB, 2012.p.12

Dores de Parto



            Nenhum homem é capaz de descrever as sensações de uma mulher grávida, tão menos falar sobre as dores sentidas ao trazer um bebê ao mundo. Experiência qual somente a natureza feminina tem a “graça” de viver.
            Já diz uma cancão de tantas Marias: “...de uma gente que ri quando deve chorar...”, talvez essa seja uma das melhores expressões para explicar o momento do parto, mas isso quando se trata do natural. Durante nove meses, certa Maria, carrega em seu ventre, reveste de carne uma nova vida. A cada semana uma surpresa. Com uma medicina qualificada e equipamentos avançados é possível ver o rostinho do bebê em 3D. Com o passar do tempo, juntamente com as alegrias vem o pesar de um corpo cansado, os órgãos internos femininos já deram todo espaço possível para a criança se desenvolver. Milagre da vida que traz dores para as Marias antes mesmo de darem a luz. As pernas incham, as costas doem, o corpo dói sem encontrar uma posição adequada para deitar, a respiração pode ficar mais curta, enfim, sensações que só as Marias  podem descrever.
No momento certo esse corpo cansado, cheio de dores, que divide seus nutrientes com outro pequenino, “grita” clamando alívio e expele a nova vida. Parece frio pensar dessa forma, mas é real, nascemos por estarmos prontos e porque o corpo de nossa mãe, uma entre tantas Marias, está sofrendo.
Antigamente as Marias de diversas culturas encontravam maneiras de parir, sempre percorrendo caminhos que as mais velhas abriam.
E as famosas parteiras, quem desta nova geração ouviu falar delas? Sabedoria muitas vezes matuta, mas extremamente eficaz, por suas mãos o parto era humanizado, o que hoje em dia com a medicina moderna e talvez com a pressa de alguns obstetras em ganhar seu dinheiro, isso se tornou bastante diferente, pode-se dizer “frio”.
De acordo com o site “partopelomundo.com”, vem aumentado o número de famílias que optam pela realização do parto em casa na Austrália, com 33% de aumento entre 2004 e 2009. A taxa de mortalidade materna neste país é registrada como uma das mais baixas no mundo sendo 8,4 em cada 100.000 mulheres. As últimas estatísticas, a partir de 2003- 2005 mostram apenas 65 óbitos maternos ocorridos na Austrália. Nenhum deles estavam relacionados a partos domiciliares.
Em alguns casos a cesariana é de extrema necessidade para garantir a vida de Marias e seus bebês. Mas em outros é pura comodidade de ambas as partes. Delas talvez por medo das dores do parto, por medo de estragar a genital ou são seduzidas por uma maneira rápida e que de dor no momento somente há uma agulhada nas costas. E seduzir para esse tipo de parto parece estar se tornando uma especialidade obstetrícia. Perceba, pelo Sistema único de saúde (SUS), o método natural custa R$ 291,00 e a cirurgia cesariana, R$ 402,00, já imaginou quanto isso custa em um hospital privado? Pois é isso varia de acordo com cada instituição por envolver diária e outros procedimentos.
Ah! Sim, as dores que não foram sentidas na hora do nascimento aparecem de outras formas, durante alguns dias, a barriga partida com pontos se enche de gases, tossir ou espirrar é quase um ataque inimigo em meio à guerra. Enquanto aquela que trouxe a luz uma nova vida de forma natural se recupera de maneira muito mais rápida e sem riscos de infecção hospitalar.
Ó Marias o que acontece com vocês? Mas quem sou eu para explicar? Sou apenas um João entre tantos outros que se alegra ao ver a carinha da vida, ao ouvir o chorinho da esperança e dores de parto ou pós-parto não sou capaz de sentir. Benedito Antônio (aluno)


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Dra Zilda Arns, uma mulher ética.



Zilda Arns Neumann nasceu a 25 de Agosto de 1934, na cidade de Forquilhinha, Paraná, Brasil. De família abastada poderia, como a maioria das jovens de ontem e de hoje, ter seguido sua vida sem maiores “distrações” com as causas sociais. Porém, quis a sua consciência e convicções evangélicas que sua vida, desde cedo, se enveredasse pela pergunta motriz: o que eu posso fazer de bom para o outro, especialmente para quem mais necessita?
Para tanto, empenhou-se, desde os tempos da graduação em medicina, especializando-se em pediatria e sanitarismo. A realidade da criança pobre brasileira era lastimável: a mortalidade infantil ceifava inúmeras vidas ainda nos primeiros anos de sua existência, vitimadas pela desnutrição e pela violência. Consciente do poder da educação, da instrução e da conscientização, Zilda Arns não teve dúvidas: era preciso formar e informar as pessoas, sobretudo as mães, as gestantes e as famílias. Deixando-se persuadir pelo Evangelho (cf. Jo 6,1-15), decidiu-se pelo trabalho a partir das bases, isto é, a partir das pequenas comunidades, das redes familiares, entre amigos, por cada homem e mulher de bem.
Sua atuação logo se estendeu a níveis Estaduais: coordenou campanhas de vacinação, além de dirigir o departamento de assistência a maternidade em seu Estado, Paraná, com atuação nas áreas de planejamento familiar, prevenção de câncer ginecológico, saúde escolar e aleitamento infantil. Em 1983, a pedido da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), funda, em conjunto com religiosos, e grande número de voluntariado, a Pastoral da Criança, com atuação, mais tarde, a níveis nacionais e com reconhecimento internacional. Através da pesagem, da visita familiar e das reuniões mensais, combateu-se, sobretudo, a mortalidade infantil a partir de medidas simples, a chamada multimistura.
Em 12 de Janeiro de 2010, em visita ao Haiti para promoção da Pastoral da Criança, Zilda Arns, juntamente com um grande número de haitianos, foi vitimada pelo terremoto que assolou aquele país. Uma mulher que, durante toda a sua vida colocou-se generosa diante do outro, seu semelhante, em quem via o seu Senhor necessitado, soube solidarizar-se com os pequeninos deste mundo em tudo, inclusive em sua última e cruenta dor: a morte. Apesar de seu violento desaparecimento de entre nós nos ter deixado um profundo e “incompreensível nó no peito”, soubemos reconhecer que “não é hora de perdermos a esperança” (d. Paulo Evaristo Arns, irmão).
Zilda Arns morreu como viveu: tomada pela causa do homem, especialmente por aquele com o qual poucos ou ninguém se importava. Sua vida norteou-se pelas convicções mais profundas do seu coração, a saber, a exigência que sua fé lhe exigia: “estive com fome e me deste de comer; com sede e me deste de beber; enfermo e foste me visitar; nu e me vestiste” (cf. Mt 25, 34-39).
Dra Zilda Arns, “nossa irmã”, de quem nos sentíamos tão próximos por um lado, mas por outros ângulos, distantes demais, ensinou-nos o valor da ação concreta, da vida doada, entregue, feita doação. Ensinou-nos, por isso, que maior é quem dá a vida pelo seu amigo. Este, na verdade, dá vida ao amigo; ao irmão.
Se hoje nos criticam, com razão, pelo excesso de discursos e pouca ação concreta, Zilda Arns, mulher de silêncio e sorriso fáceis, deixou-nos o seu último discurso, que o terremoto não lhe deixou proferir. Eis um fragmento dele:
“(...) Sabemos que a força propulsora da transformação social está na prática do maior de todos os mandamentos da Lei de Deus: o Amor, expressado na solidariedade fraterna, capaz de mover montanhas."Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos" significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça; significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais necessitam. Somar esforços para alcançar os objetivos, servir com humildade e misericórdia, sem perder a própria identidade.
Cremos que esta transformação social exige um investimento máximo de esforços para o desenvolvimento integral das crianças. Este desenvolvimento começa quando a criança se encontra ainda no ventre sagrado da sua mãe. As crianças, quando estão bem cuidadas, são sementes de paz e esperança. Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceitos que as crianças.
Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los”. (Dra. Zilda Arns Neumann)

Claudemar Silva

Meio Ambiente: um compromisso de todos



O ser humano é o responsável universal de suas ações. Busca-se, cotidianamente, por um desenvolvimento sustentável do planeta com o propósito de satisfazer as necessidades atuais e das gerações futuras, desenvolvendo os potenciais social, econômico e cultural; e junto a isso a preservação e utilização razoável do meio ambiente e de seus recursos.
A ética ambiental entra no viés da conscientização cidadã e do compromisso no cuidado aos recursos globais, remetendo as responsabilidades das ações diretas e indiretas em favor ou contra-favor deste. A conscientização gera a ação: um compromisso ético e social que abrange uma mútua consciência de prevenção dos ecossistemas e numa reestruturação das políticas no combate a degradação do meio ambiente.
Uma boa parte da população é desinformada ou tende a tampar os ouvidos frente às diversas situações de desrespeito a um patrimônio natural que já existe bem antes da origem humana. Na realidade, o ser humano, o ser indivíduo é que é responsável pela sua atual condição. Se a humanidade sofre com as mudanças climáticas, o aquecimento global e tantos outros problemas, ela é a principal responsável e vítima das respostas que o meio ambiente dá. Poluição, o crescimento exagerado da população, a destruição das matas ciliares e das florestas acarretará no fim do maior bem do homem, a natureza.
Por isso, é de suma importância que os recursos renováveis sejam utilizados com cautela, ampliando o poder produtivo do ambiente sem prejudicar a natureza e os recursos não-renováveis. Possam ser também, utilizados de forma regrada, uma vez que esses podem se extinguir instantaneamente. O fato é que, os atos geram conseqüências permanentes que não só interferem na vida humana, mas na dos seres vivos e que atitudes e hábitos conscientes podem transformar um sonho longínquo em realidade eminente. O cuidado do meio ambiente é um compromisso de todos! Façamos a nossa parte!
Por: Benedito Antônio (aluno)

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"Então, este é o contexto de onde surge a Carta da Terra. A Carta da Terra é uma resposta, uma expressão desse novo estado de consciência da humanidade. É um alerta em primeiro lugar, é um risco, mas esse risco comporta chances. Onde há risco há também salvação. É página de convocação à humanidade para que ela desperte, inaugure novas práticas e que incorpore valores que tenham como destinação final esta nova mentalidade. O planeta Terra e a humanidade"(Leonardo Boff)[i]

                Uma das mais atuais preocupações da bioética é com relação ao nosso Habitat Natural. A Terra passa a ter um olhar, indiscutivelmente necessário, presente em nossas reflexões. Afinal, não resolveríamos pensar nas questões de qualidade de vida, se não nos preocuparmos em onde vamos viver essa qualidade de vida. Preocupar-se com a Terra é preocupar-se com o nosso futuro, futuro esse que à luz dos últimos acontecimentos e avanços tecnológicos e de progressos, podem levar a nossa própria extinção.
                Nesse itinerário um brasileiro nos ajuda no percurso e nos apresenta um belíssimo projeto de tentativa de salvar nosso Planeta. O teólogo Leonardo Boff se apresenta um dos participantes na construção e redação de um documento que se propõe tornar uma Solf Law (lei branca), a saber: A Carta da Terra.
             Boff nos apresenta que para a elaboração de tão projeto, quatro princípios foram cuidadosamente pensados: O primeiro, parte da ideia de que todos os seres humanos se inter-relacionam, diz Boff que: Estamos todos no mesmo barco. Fazemos parte de uma mesma Cadeia da vida. E nesse sentido, todos devem ser responsáveis e preocupados, por essa que, é a nossa única casa. Um segundo principio parte de uma filosofia da utopia humana, que deseja um único mundo governado por todos. Em terceiro, está a globalização, vista negativamente por muitos, e de fato o é, mas que trouxe também benefícios, como as redes de comunicação, as estradas e rodovias que permitem a ligação de todos e assim a percepção de uma nova utopia global. Diz Boff: “Utopia de uma globalização de rosto humano, onde a solidariedade e a cooperação se transformem em projetos políticos, em projetos pessoais”. E por fim, apresenta-nos o risco que ronda o planeta, desde o aparecimento das armas de destruição em massa e o principio de autodestruição, que possibilita a destruição de toda a nossa biosfera, gerando a impossibilidade de continuidade do projeto planetário humano.
                A Carta da Terra, aprovada definitivamente no ano 2000, apresenta-se como uma tentativa Global de apresentar princípios éticos fundamentais para a construção, no nosso século, de uma sociedade, que se apresente minimamente justa, sustentável e pacífica. Tenta suscitar em todos os povos uma consciência profunda de sentido de interdependência global e reponsabilidade compartilhada que se volta para o bem-estar de toda a comunidade humana, sejam as presentes ou as vindouras.
                Apenas para percebermos sua importância, um pouco de história...
                A Carta da Terra é resultado de mais de uma década de diálogo intercultural, perante objetivos comuns e valores compartilhados. O seu inicio deu-se por uma iniciativa das Nações Unidas que logo se alastrou passando a ser uma iniciativa global da sociedade civil. E assim, em 2000, uma entidade internacionalmente independente – Comissão Carta da Terra – conclui e divulga o documento. (vide texto no final do artigo)
                Para a redação tentou-se envolver o mais inclusivo e participativo processo associado à criação de uma declaração que se apresentasse internacional. Assim percebeu-se cumprir essa sua missão com a adesão de mais de 4.500 organizações, incluindo vários organismos governamentais e organizações internacionais.
                É claro que, como já mencionado nesse artigo, A Carta da Terra se apresenta como um documento de Lei Branca. Isso significa que não é uma lei stritu senso, mas moralmente aceita. Assim percebe-se que ao longo dos anos um crescente numero de juristas internacionais vem reconhecendo a legitimidade da Carta.
                Ao vislumbrar esse percurso, compreendemos o grande passo dado pela bioética no auxilio e elaboração efetivo de tão grande passo para a humanidade. Conhecermos seu conteúdo, divulga-lo, pratica-lo convoca-nos a urgência. Sendo assim, BOA LEITURA!
                    O texto da Carta da Terra está aqui!

Por Marco Aurélio.

[i] Citação retira de uma entrevista realizada com o teólogo Leonardo Boff em uma conferencia sobre a Carta da Terra vide homepage: http://www.apoema.com.br/boff.htm. Acesso em 22 fev. 2012.

IDOSO & POLÍTICAS PÚBLICAS



Diante da ambivalência entre vida e morte, entre saúde e doença encontra-se o idoso. Na sociedade atual vive-se uma contradição entre a busca de maior longevidade e uma crescente situação social de marginalização do idoso. É verdade que a expectativa de vida aumentou graças aos níveis de nutrição e dos serviços de saúde, destaque para o mercado farmacêutico. Mas a esse crescimento da estimativa, não acompanhou a valorização social dos idosos. Eles são vistos ora como um estorvo, ora como um fator de gastos.
            De um lado a preocupação em elevar os níveis da qualidade de vida, de outro a mentalidade sociocultural da sociedade. A presença do idoso dá o que pensar! Em uma família abastada o idoso na maioria das vezes vive sozinho e isolado. Em uma família pobre, o idoso é a principal fonte de renda, é ele que mantém a família. Um salário insignificante é dividido entre várias pessoas e a qualidade de vida do idoso é usurpada, sem contar que ele ainda  exerce o papel de babá, fazendo o se sentir valorizado e útil.
            O processo de envelhecimento do ser humano passa por diversas nuances, entre eles destaca-se: a consciência da vulnerabilidade, a condição de temporalidade, a condição da finitude (morte). Todos esses aspectos são questões a serem pensadas, refletidas a fim de que se possam criar políticas públicas que visem um incentivo à formação da consciência da sociedade sobre o envelhecer, sobre a pessoa idosa. Políticas públicas que contribua para a formação da consciência dos jovens sobre o envelhecimento saudável bem como incentivar a autonomia, o bem estar e a integração efetiva dos idosos na sociedade.
            Já existe o estatuto do idoso, que nasce para garantir os direitos dos idosos. A questão é aplicar concretamente nas diversas camadas da sociedade. Fazer valer uma lei depende de todos. Cuidar dos idosos de hoje equivale a pensar também no futuro do nosso país, afinal a tendência é aumentar o número daqueles que deram muito de si para a construção da sociedade. Por isso, estejamos dispostos a formar consciência de que a vida não se encerra com a velhice. A vida é um processo. Todos são importantes. Por Isaac Celestino de Assis.





Créditos das fotos: 

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A vida cristã e a saúde pública

O perigo de um crescente comércio da saúde é enfraquecer a consciência de que trata-se de uma questão de interesse público universal. Sobretudo nos países onde o estado assumiu dar atenção a todos os seus cidadãos, há que se apoiar e promover as iniciativas que desejam responder ao direito dos cidadãos de uma atenção integral e com qualidade no cuidado da saúde de todos. Aliás, há que se manter uma suspeita sobre o aumento das vendas de planos de saúde, pois a isso pode estar subjacente uma mensagem de que a saúde é uma questão de dinheiro e não um direito de todo cidadão. Ainda, pode-se enfraquecer as iniciativas que lutam por um acesso universal de qualidade e equitativo.

A fé cristã tem uma palavra frente a essa realidade. Ela aspira à salvação da humanidade toda. Uma salvação que perpassa pelo plano histórico e transcendental. Parte da salvação histórica se expressa numa vida digna atual e cotidiana da pessoa. A salvação se faz evidente, por exemplo, numa pessoa que vive num ritmo e no meio de um ambiente saudável, fala-se aqui de uma condição que implica um cuidado integral e preventivo.

Isto não só é possível por uma vida de fé. Necessitam-se as condições materiais asseguradas pelo estado, com a colaboração das pessoas da comunidade local, para criar um ambiente que possibilite a vida digna da pessoa. Entre esses está o acesso a serviços básico de saúde, moradia, esgoto, água potável, energia,... Mas também de outros que contribuem para a formação do espírito humano, como a educação, a cultura e um respeito e cultivo da vida cidadã.

Nós, como cristãos, estamos convidados a viver uma vida baseada no amor e na justiça a partir de nossas comunidades (ad intra). Mas também, ter a capacidade para que isso mesmo aconteça na vida cotidiana de todos (ad extra), por exemplo, manifestando-nos sobre as incongruências dos deveres assumidos e não levados a sério pelo estado. Um desses temas é a questão da atenção pública de saúde do estado, lembrar constantemente que ele assumiu um compromisso pelo acesso universal, equitativo e de qualidade, mas não só no combate, senão também em medidas preventivas que evitem despesas enormes no combate às doenças. Não será fácil, pois as companhias privadas não permitiram ou obstaculizaram essa iniciativa.

Nós cristãos não podemos fazer mais que somar-nos ou cuidar para que aquelas iniciativas pelo bem comum aconteçam. O que importa é que não podemos ficar indiferentes frente à injustiça. Nisso, um tema fundamental é a atenção integral do cuidado da saúde de todos os cidadãos. Por Mario E. Cornejo Mena (aluno).

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Fraternidade e saúde pública




Frequentemente, os meios de comunicação (rádio, internet, televisão, revistas e jornais) vêm nos mostrando os números da decadência do Sistema Público de Saúde no que diz respeito ao atendimento ao paciente e, também, no que se refere á deficiência dos serviços prestados nos hospitais públicos. Pesquisas mostram que o brasileiro sofre com uma das mais altas cargas tributárias do mundo. Diante dessas cargas tributárias era para o povo brasileiro ter um tratamento de qualidade nos hospitais, mas nem isso lhe é garantido. Os únicos que podem beneficiar-se de tratamentos de primeira qualidade são aqueles que têm condições de pagar um bom plano de saúde. A questão da saúde pública no Brasil é tão complicada que existem pessoas que esperam mais de cinco anos para realizar uma cirurgia. Claro que esta cirurgia não é emergencial, pois se fosse, obviamente esta pessoa morreria por falta de cuidados médicos.
Diante da realidade a qual se encontra a saúde pública no Brasil, a Campanha da Fraternidade do ano de 2012 aborda o tema: “Fraternidade e saúde pública”. O objetivo de tratar esta temática é o de sensibilizar a todos sobre o cuidado, zelo, valor e respeito que se deve dar a vida. Por isso, este é um momento oportuno para falar da saúde pública e refletir sobre os cuidados que se deve ter com a mesma. Este é um momento privilegiado para desenvolver uma maior consciência sobre a questão da saúde pública e mostrar para as pessoas que pensar nesta questão não só é cuidar de si, mas também ir ao encontro do outro que necessita da nossa ajuda. Esta é a finalidade da CF 2012, fazer com as pessoas se conscientizem de que a melhoria da saúde pública depende do empenho e do esforço de cada um de nós. Somente assim, é possível ajudar quem está doente e melhorar o sistema público de saúde na sociedade em que vivemos.
É importante sensibilizar-nos para esta questão da saúde pública e percebermos que o caminho da conversão, passa pela atenção com o outro. Isso significa que o sofrimento que o outro está passando, também é nosso. Em outras palavras, tudo o que diz respeito à pessoa humana, se refere também a prática evangélica (ensinamentos de Jesus). Como se pode ver, o tema da CF de 2012 nos ajudará a refletir com seriedade sobre o cenário da saúde pública no Brasil e alertará o governo e demais autoridades sobre a precariedade de condições dos hospitais, reivindicando assim, melhores condições na saúde pública. A saúde é um Dom que Deus nos deu. Por isso, todos nós devemos ter direito a ela.
Além da atenção para com os enfermos, faz-se necessário um empenho maior por mudanças nas estruturas que geram enfermidades e mortes em nossa sociedade. Tais estruturas tornam-se visíveis nas situações de exclusão, na falta de condições adequadas e dignas de se viver. Também é importante ressaltar o péssimo atendimento que é oferecido a muitas pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). O texto base da Campanha da Fraternidade descreve a saúde pública como condição digna para o desenvolvimento pessoal e comunitário, a partir da responsabilidade do Estado, e iniciativas que relacionam saúde com alimentação, educação, trabalho, renda, promoção das pessoas e meio ambiente saudável para se viver como um ser humano. Nesse sentido, a bioética entra como um bem comum que caminha na linha da prevenção da saúde de todas as pessoas. Ela visa à justiça, a legalidade, a transparência, o respeito e a dignidade entre todos sem distinção de raça ou de cor.
Por fim, á luz da Campanha da Fraternidade de 2012, queremos refletir com toda a Igreja sobre a saúde pública e incentivar as pessoas a rezarem por todos os profissionais desta área, para que suas ações sejam promover e defender a vida, de modo particular, daqueles que vivem em situação de desigualdade. Que a Igreja, à luz do grito profético de cada batizado(a), possa aproveitar esse momento para se aproximar das questões sociais que atingem cotidianamente a vida do nosso povo. É a partir dessas reflexões junto ao poder público e aos cidadãos, que a Igreja pretende contribuir para a qualificação, o fortalecimento e consolidação do SUS, visando melhoria da qualidade de saúde para a população como um todo. Por Roni Hernandes

Campanha da Fraternidade 2012.



Campanha da fraternidade 2012 reflete sobre a realidade da Saúde no Brasil, com o tema “Que a saúde se difunda sobre a terra” (cf. Ecle 38,8). Apontando alguns objetos; refletir sobra a realidade da saúde no Brasil visando uma vida saudável. Disseminar o conceito de bem viver e sensibilizar na prática de hábitos saudáveis. Sensibilizar as pessoas para os serviços aos enfermos e suprimir suas necessidades e a integração na comunidade. Alertar para a importância da organização da pastoral da saúde nas comunidades. Despertar nas comunidades as discussões sobre a realidade da saúde publica, visando a defesa do SUS, e a reivindicações do seu justo financiamento e etc.
Perante estes objetivos podemos perguntar. Qual o papel da igreja no mundo da saúde? Em âmbito geral sempre foi um papel assistencial, exercício humanizante, ou seja, a Igreja é perita em humanidade e não em ciência, investindo no auxílio e cuidado com as pessoas ou populações, especificamente os mais pobres e vulneráveis ao longo da história.
A missão da Igreja pode-se resumir: Eu vim para que todos tenham vida plena. E ter vida plena significa ter saúde. Uma ética samaritana marcada, que visa aprofundar colocar em prática a ‘bioética dos quatro Ps’: “Promoção da saúde; prevenção  de doenças; proteção das vulneráveis presas fáceis de manipulação; precaução frente ao desenvolvimento tecnológico”[1] que muitas vezes querem desenvolver novidades sem sabermos  muito das  conseqüências. 
Trabalhar o tema da Campanha da Fraternidade com a saúde é ter em vista, vida e morte, configurando a luz da vida e morte e ressurreição de Nosso senhor Jesus Cristo. Ver e refletir e discutir a saúde publica no Brasil é ao mesmo tempo ajudar a transformar a ação do modelo da saúde publica. A salvação que Jesus Cristo nos alcançou passa pela saúde física, psíquica, afetiva e espiritual, isto é, a saúde de toda a pessoa, pois toda a pessoa foi salva.
Quando se fala de saúde publica, não podemos direcionar o foco diretamente para a realidade dos atendimentos e dos cuidados em unidades de saúde, devemos compreender que para ter uma qualidade de vida muitos fatores de precauções devem ser levados em conta, o direito e o cuidado com o meio ambiente, a busca de um desenvolvimento sustentável, e considerar a questão da antropologia, que parece estar esquecido, pois se não tiver uma visão clara sobre quem é o homem, os resultados da biotecnologia não atingiram os resultados benéficos. 
Portanto, todo este processo de evangelização proposto pela Campanha da Fraternidade, restaura princípios éticos diretamente ligados nas atividades sociais e físicas. Consistindo em promover, educar, cuidar, defender e celebrar a vida. Por Marcos Bugila (aluno).


[1] Conferência dos Bispos do Brasil. Campanha da fraternidade 2012: Manual. Brasília, Edições CNBB. 2011. p 108.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Vivo!


O sabor da presença pessoal dos outros no mundo
Uma vez alguém me falou que dá no mesmo visitar Diamantina pela internet que pessoalmente. Eu imediatamente pensei que não é o mesmo olhar fotos numa tela, do que respirar o ar que circula no meio dessa cidade histórica. Finalmente não fui. Mas, um ano antes eu visitei o Rio de Janeiro, já há muitos anos vinha assistindo a um sem-fim de imagens do Cristo no Corcovado, e posso assegurar que a experiência de ter estado ao pé da imagem, em cima do morro, contemplando-a de perto e admirando a cidade de longe, posso assegurar que não é o mesmo olhar desde a tela uma paisagem que estar no lugar.

SABER SABOR PESSOA PRESENÇA

Há uns anos eu fui professor de ensino médio. Uma das questões que mais me chamou a atenção foi o tempo que os jovens investem em escrever torpedos ou no bate-papo. Numa aula eu perguntei se eles pensavam que seria o mesmo conversar com uma pessoa usando o celular ou o computador, do que fazê-lo pessoalmente, muitos responderam que sim! Eu comentei a minha opinião, não é o mesmo saborear a presença viva de outra pessoa numa conversa, a incomparável experiência do “face-a-face”, em especial quando se trata de um amigo, e mais ainda, quando se partilham experiências de profunda alegria ou de dor ou de silêncio. Mas foi interessante conversar com eles, sem se  importar quem teria razão.
Uma vez li em algum lugar de um tempo onde as pessoas tinham esquecido o verdadeiro cheiro das comidas e da natureza. Mas ninguém notava, pois não tinham experimentado o verdadeiro aroma. Só alguém que viajou do passado percebeu que o queijo não cheirava como queijo, que o frango tampouco e assim por diante. Então lembrei como os meus familiares que moram longe do meu país, quando viajam de novo a El Salvador falam “isto é frango, isto é queijo, feijão, carne...”. Imagino que não é só saudade, senão que em aquelas grandes cidades precisa-se de mais colorantes e sabores artificiais para viver. Bem poderia dizer que lá, até a comida virou um assunto de virtualidade.
Esses exemplos são para dizer que há uma distinção em saborear a presença da realidade de outrem ou do mundo em pessoa. As ciências e as tecnologias não podem suprir completamente essa experiência. A realidade do mundo em que vivemos revela-nos a nossa presença (e o modo desta) no mundo: vivo! Vivemos! A realidade da presença dos outros revela-nos a nós mesmos: amo! Sinto compaixão! Mas essa presença do mundo e das pessoas revelam-nos a nós mesmos na mesma medida em que estejamos abertos para essas realidades. E se trata de uma presença o mais humana possível, aquela que é real. Mario E. Cornejo Mena (aluno).

Comentários à oração da CF 2012


A oração da campanha da fraternidade tem uma estrutura trinitária. Começa falando do Pai, que é Senhor Deus de amor. Mas não é só isso. Deus é Pai de bondade e, portanto somos filhos dele, filhos da vontade de um Deus, que não é distante, mas é amor, como diz a oração. Esse Deus nos dá o dom da vida. Isso é importante notar: a vida é dom. Certamente que é tarefa, mas é em primeira instância dom. A contribuição que a teologia dá para a bioética vai nessa perspectiva: de que a vida tem uma referenciabilidade primeira a Deus Pai. Ele é o criador que com amor cuida da criação. Aqui novamente entra uma questão teológica imprescindível: de que toda a criação é obra de Deus e cuidada por ele; isso é argumento teológico contra toda a má manipulação da vida, contra o desprezo pelo homem. O indicativo na ação de Deus torna-se par nós imperativo (ética). Assim questões como a dignidade humana ou a saúde, estão sustentadas não no homem mesmo, mas na bondade de Deus.
Quando fala do Filho Jesus, a oração diz que ele, em sua misericórdia assumiu a cruz dos enfermos e de todos os sofredores. Jesus, o filho de Deus, se identifica com aqueles que sofrem; ele “tomou nossas enfermidades e carregou nossas doenças” (Mt 8, 17). Assim, assumindo nossas dores em sua páscoa, ele mostra que a nossa última verdade não é a morte. Deste modo, é resgatada a nossa esperança. Também a articulação teológica da pessoa do Filho, contribui para a reflexão bioética: afinal, que peso tem a esperança contra todo o desengano por parte dos médicos? Que peso tem a esperança contra todo o desespero diante da morte que não chega? Ou, quais os significados da solidariedade, da compaixão (assumidas pelo Filho de Deus) para uma medicina cada vez mais desumanizada?
A oração termina pedindo o Espírito. E pede que guie a Igreja, para que ela se faça pela conversão (o que quer dizer que ela não está pronta), solidária às dores e enfermidades do povo – a exemplo do que Cristo foi. Aqui a Igreja reza para que seja testemunho profético. Mas a solidariedade às dores e sofrimentos, jamais pode estar embasada numa fé sem obras. É prudente lembrar o conselho de Tiago: “Se um irmão ou uma irmã não tiverem o que vestir e lhes faltar o necessário para a subsistência de cada dia, e alguém dentre vós lhe disser: ‘Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos’ e não lhes der o necessário para a sua manutenção, que proveito haverá nisso?” (2, 16s). Podemos nos apropriar desse conselho na perspectiva da saúde: de que adianta falar em solidariedade, se não fazemos nada pelos enfermos; ou defendermos a dignidade, se não fizermos nada por ela?
Rezar para que a saúde se difunda sobre a terra é essencial. Mas falar de saúde é considerar o ser humano integralmente: sexualmente, afetivamente, fisicamente, psicologicamente. E, se é verdade que nos comprometemos com aquilo que rezamos; então, enquanto Igreja, nós estamos nos comprometendo em cuidar da integridade do ser humano e em cuidar que cuidem dele, integralmente. Esse é um dos papéis fundamentais da Igreja, a meu ver, na discussão bioética. Por Eduardo Rodrigues (aluno)


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

As novas tecnologias em defesa da vida humana

As novas tecnologias estão se aproximando cada vez mais dos hospitais chiques e modernos. Todas estas técnicas são pensadas para serem colocadas à disposição do ser humano por meio de hospitais, escolas, locais de trabalhos e, em tantos outros setores da nossa sociedade. Prova disso, são os investimentos em equipamentos de ultima geração que os hospitais fazem para atender às necessidades dos destinatários do nosso tempo. Todos esses equipamentos chegam aos hospitais com uma única missão: resgatar vidas. Dentre os equipamentos estão: tomografia computadorizada, ecocardiografia, monitores multiparamétricos, diálise portátil, vitreófogo, densiotometria e tantos outros.

Todo este investimento representa segurança para os pacientes, sobretudo, para aqueles que às vezes tem que sair do seu próprio território para fazer um tratamento de saúde fora do seu país. A aquisição desses novos equipamentos faz com que tenhamos profissionais da área da saúde mais capacitados e qualificados para atender com segurança os pacientes. Durante um bom tempo, os médicos recebem uma equipe de pessoas que vão orientá-los e instruí-los sobre o uso desses novos equipamentos dentro dos hospitais.

Como se pode ver, as novas tecnologias, sobretudo, aquelas ligadas á área da saúde, representam a possibilidade de ampliar os recursos que possam garantir maior qualidade de vida para a população do nosso tempo. Em outras palavras, isso significa que o desenvolvimento cientifico é um bem, que está voltado para a promoção da vida humana. O triste de tudo isso é que, no Brasil, poucas pessoas tem acesso a essas novas tecnologias que chegam nos hospitais. Tanto que 80% dessas novas tecnologias estão presentes nos hospitais particulares e 20% estão presentes no Sistema Único de Saúde (SUS). Desses 20% que se encontram no Sistema Único de Saúde, 10% estão sobre o comando de governadores e prefeitos que utilizam esses meios para a barganha política.

O que realmente nos interessa na reflexão desse texto, é o aprofundamento ético do uso correto desses equipamentos nos hospitais. Não se trata de dizer se eles podem ou não usar essas ferramentas, o que nos convém questionar é o modo de como elas estão sendo utilizadas. Não adianta ter todos esses aparatos, se a grande maioria da população que é formada pela classe pobre, não tem acesso a eles, nem se quer tem condições de pagar uma consulta que custa em média 150,00. Uma vez que essas técnicas representam um bem para a sociedade, todos nós devemos ter acesso a ela. Independente da situação a qual nos encontramos ou da classe a qual pertencemos. 

Por fim, à luz de uma reflexão ética é preciso que os profissionais da área da saúde não contem somente com equipes especializadas, equipamentos modernos de ultima geração, é preciso antes de tudo, que a ação dos médicos perceba a necessidade de voltar ás fontes e recomeçar tudo a partir do valor da vida humana. Em outras palavras, tudo deve ser inspirado nos princípios da universalidade, da fraternidade e do resgate a vida, cuja primeira proposta é atender a todos sem distinção de raça ou de cor. Por Roni Hernandes (aluno).


Crédito da foto: http://www.hi-q.net/images/Industries/Biomedical-Chemical(t27jx2).jpg

Progresso científico x vida humana



            Não é de hoje que a humanidade acalenta dois sonhos: um novo ser humano capaz de construir um novo mundo. No passado, os conhecimentos científicos e técnicos eram escassos. A saúde e a vida das pessoas ficavam expostas sem que o ser humano pudesse reagir de forma eficiente. A mortalidade precoce era comum, tanto que por volta dos anos 100 a expectativa de vida oscilava entre 25 e 30 anos. A bem da verdade se sabe muitas das deficiências humanas provinham das precárias condições de vida da população e da carência de recursos técnicos. Essa situação prevaleceu ao longo de toda idade média, com sinais de melhorias a partir do século XV.
            O verdadeiro salto qualitativo na melhoria das condições de vida e de saúde ocorreu no século XIX por causa do desejo humano de moldar o mundo circunstante, não que esse desejo não houvesse antes, mas era às vezes cerceado pelo pensamento religioso reinante. Tudo deveria passar pelo crivo da religião. Moldar a vida humana tinha que primeiro ser aprovado pelos intelectuais religiosos. Não só a religião mais outros meios privavam muito o crescimento científico. Até que houve a explosão científica onde se constatou o descobrimento de muitos meios para se cuidar da saúde do homem bem como, prolongar seus dias de vida. Cresce-se a expectativa de vida.
            Hoje, diante do avanço tecnológico vê que muitos avanços em que o centro é o homem, como por exemplo: campanhas de saúde com suas diversas vacinas e com resultados surpreendentes, as diversas pesquisas sobre muitas doenças com seus múltiplos tratamentos, os estudos de doenças com o intuito de ajudar na prevenção. Muita coisa boa foi e está sendo feita, não tem como negar isso.
            Por outro lado, há uma preocupação sobre o acesso e popularização de todo esse progresso científico. Surgem inúmeras perguntas, tais como: a ciência tem sido usada para expandir o projeto de Deus, isto é, para dar continuidade ao plano de criação com a finalidade de fazer o bem para o homem? Tem sido um bem para todos ou alguns? O caminho das técnicas tem diminuído as injustiças ou tem provocado cada vez mais a desigualdade entre as pessoas?
            Ao mesmo tempo em que a produção científica é promessa de dias melhores na terra é também uma ameaça à vida humana. Essa ambiguidade está presente nesse desejo humano de ser co-criador. O que vale é o equilíbrio. Vai um conselho: usemos nossa liberdade criadora com criatividade e responsabilidade afim de que o projeto de expansão da criação iniciada por Deus coloque no centro o bem da vida humana. O limite é o bem do outro. Por Isaac Celestino de Assis (aluno).

Crédito da figura: http://www.datech-srl.com/assets/images/azienda/chi_siamo_new.jpg

Cuidado de si & saúde pública



            A saúde é um direito constitucional. Deve ser garantido a todos os brasileiros. Mas a saúde não pode ser reduzida a ausência de doenças. A saúde é antes de tudo resultado das condições de alimentação, habitação, educação, trabalho, transporte e etc. Promover a saúde significa garantir os direitos que perpetuam a distribuição de bens e serviços. O que infelizmente não tem acontecido. Muito para poucos e pouco para muitos. O direito a vida por parte do estado tem sido negado à maioria da população que paga impostos exorbitantes.
            A saúde brasileira tem vários problemas, decorrentes das condições dignas de vida da população que são consequências das desigualdades, das injustiças das mais variadas, sem contar a corrupção que domina todas as camadas da sociedade. A saúde é garantida na lei e negada na prática. A saúde grita por uma ética que valorize o ser humano por completo. Esse é o profetismo de Jesus. Que lei é essa que defende o ser humano? Onde estão os governantes que estão a serviço do povo, eleitos para representá-los. Que imagem e prática de governante temos? Não era para ser imagem de Deus que quer o bem para todos?
            Essa concepção sócio-política da saúde nos ajuda a entender a saúde além das doenças em suas causas físicas e mentais. A saúde tem causas políticas que precisam ser resignificadas com profundidade. Essas causas carecem de um eixo ético que leve em conta a humanização do homem por completo. Os sistemas de saúde estão em crise porque refletem o descompromisso do homem com o próprio homem. A saúde pública precisa resgatar a sua concepção humanista na prática, sua dimensão dos valores humanos.
            Daí vem o emblema, cobrar do estado sua dimensão antropológica no trato com a saúde pública, requer antes de tudo um exercício do perguntar-se. Como tenho cuidado da minha vida? da minha saúde? Primeiro cuidar de si. Ter bons hábitos alimentares, praticar exercícios  físicos, querer bem a si mesmo. Se eu não cuido de mim, quem vai cuidar? Deixar tudo na mão do estado? A vida é um dom, cuidar dela no exercício da liberdade é uma tarefa exigente. Comprometamos com o cuidado de nós por primeiro. Por Isaac Celestino de Assis (aluno).

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Saúde e doença


A saúde é o bem mais apreciado por todos os seres humanos. É condição para realizar sonhos e projetos e para responder a desafios e responsabilidades. Pode-se dizer que a saúde é um desejo que está inscrito no mais íntimo do coração humano. Para Verspieren a saúde é a capacidade de reagir às situações tendentes, por si mesmas, a debilitar o potencial da vida, mantendo o maior grau possível de autonomia e capacidade de agir. Disso, salienta-se que a saúde é defesa ativa contra as forças que limitam a vida da pessoa, é um processo de reações diante dos meios perturbadores que debilitam a vida por parte do próprio organismo ou do ambiente social. 
Sadia é aquela pessoa que diante de uma doença consegue integrar essa enfermidade na vida, não perdendo o sentido da sua dignidade, lutando para transforma - lá. Doente é aquela pessoa que se encontra debilitada em seus mecanismos sejam eles psíquico, físico, espiritual ou social, cuja cura consiste em recuperar esses mecanismos. O exercício da medicina está a serviço dessa recuperação integral pelo fortalecimento da capacidade de reagir. 

A saúde se identifica com a autonomia. Ser sadio é ser autônomo diante dos agentes perturbadores da dinamicidade existencial. Ser doente é não conseguir reagir, vivendo na dependência. Os responsáveis pela saúde têm a tarefa muito mais além da cura física, mas fortalecer a pessoa a fim de que ela mesma protagonize a sua existência, consiga reagir diante dos focos de dor e sofrimento. O papel dos que estão a serviço dos enfermos baseia-se no princípio de tornar o enfermo sujeito do seu processo doença-saúde. 

A vida é autonomia e esperança. Uma vez negada esses duas virtudes o ser humano morre. No ser humano, a capacidade de agir e de lutar ultrapassa a dimensão física, vai além, engloba o ser humano por completo. Uma pessoa pode ter uma deficiência física e mesmo assim ser sadia, uma vez que encontrou um modo de conviver com certa autonomia. 

Enfim, a tarefa de viver com saúde é uma luta diária. Isso depende da capacidade da pessoa de dar sentido ao sofrimento e a angústia, componentes existenciais que sempre vão percorrer o caminho da vida. Auguramos que todas as pessoas possam dar sentido à sua existência seja na saúde ou na doença. Por Isaac Celestino de Assis (aluno).

Créditos pelas figuras: 
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

“POSSA EU, POSSAS TU, POSSAMOS NÓS VIVER BEM!”



O ser humano, de tanto viver rodeado de resultados dos avanços tecnológicos, científicos..., parece que pouco a pouco vai se esquecendo que a sua vida continua se realizando na coexistência com os outros e para os outros.
Ora, o acesso aos bens tecnológicos não pode nem deve conduzir o homem a um individualismo e isolamento. É bom lembrar que existe em nós uma dimensão profunda que nos conduz, não simplesmente a existir, mas também a dar ao outro aquilo que somos.
O ser humano não pode cair numa fuga mundi. Ele deve ter presente que sua existência está orientada para se realizar neste mundo com e para os outros. Portanto, em lugar de se fechar em si mesmo, o homem está continuamente convidado a ir ao encontro do outro.
Este sair de si mesmo para ir ao encontro do outro implica certas considerações a serem levadas em conta. Segundo Paul Ricoeur, é verdade que o constitutivo do ser humano é a dimensão dialogal.  Mas esta atitude de diálogo nem sempre é ingênua: traz um tom de ambigüidade na hora do seu exercício. Por exemplo, assim como o diálogo pode ser um encontro de respeito e estima entre dos seres iguais, também pode se tornar num exercício de poder e instrumentalização do outro.
Para evitar qualquer tipo de distorção da dimensão dialogal, Ricoeur exorta que a experiência de correlação de rosto-a-rosto deverá estar movida pela intenção da vida boa, com y para os outros, isto é, o ser humano não pode prescindir da atitude de solicitude, porque só desta forma o diálogo poderá torna-se num encontro de amizade entre iguais. Só assim o homem poderá dizer: “possa eu, possas tu, possamos nós viver bem!” Por Bernardo Leon Mercado Vargas (aluno)

Crédito da imagem: http://www.ght.org.uk/userfiles/image/webgeneral/African-facing-masks-iStock.jpg